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A reunião semanal de PCP que o DDMRP elimina (e a que ele cria)

DDMRP elimina a reunião 'olha planilha de MRP' que toda fábrica conhece. E cria outra, mais curta e estratégica. Veja como muda a rotina de PCP em produção.

Luis Felipe Miléo

Luis Felipe Miléo

· 5 min de leitura

Quem trabalha com PCP em fábrica média conhece a reunião. Toda segunda-feira, às oito da manhã, quatro a oito pessoas se sentam: PCP, compras, produção, logística, eventualmente comercial. Na mesa, planilhas exportadas do ERP. O assunto é sempre o mesmo: “este SKU está furado, este aqui sobrando, este fornecedor atrasou, este pedido grande chegou”.

Essa reunião dura uma a duas horas. Repete toda semana. E o que se decide nela é, em essência, firefighting: apagar incêndios criados pelo descompasso entre previsão e demanda real.

O DDMRP não elimina trabalho de PCP — mas elimina essa reunião específica. E a substitui por uma reunião diferente, mais curta, mais estratégica.

A reunião que sai

A reunião semanal de “olhar planilha de MRP” tem uma estrutura previsível:

  • 15 min — apresentação dos atrasos da semana anterior
  • 20 min — discussão SKU por SKU dos itens em ruptura
  • 20 min — debate sobre pedidos grandes que chegaram fora da previsão
  • 15 min — definição de ações: ligar para fornecedor, antecipar produção, reprogramar
  • 10 min — fechamento

O conteúdo dessa reunião é execução tática. Decisões individuais sobre SKUs específicos. Trabalho que poderia (e deveria) ter sido feito ao longo da semana, no fluxo, mas que se acumula porque a tela do ERP não dá visibilidade clara.

DDMRP elimina essa reunião porque resolve o problema de fundo: a tela passa a dar visibilidade clara. O comprador abre o dashboard, ordena por penetration, ataca os vermelhos. Não precisa esperar segunda às oito para saber o que está em ruptura.

Como muda no dia a dia

Em uma operação madura com DDMRP em Odoo (camada da ForgeFlow implantada pela KMEE), o trabalho fica distribuído:

  • Diariamente, 15–30 min por comprador — abrir Net Flow, atacar vermelhos, gerar POs de reposição
  • Diariamente, 10 min por planejador — abrir execution alerts, cobrar follow-up
  • Continuamente — alertas projetados de stock-out aparecem no painel; ação acontece no fluxo

A “decisão SKU a SKU” some da agenda formal porque acontece em tempo real, na ferramenta certa.

A reunião que entra

Mas DDMRP não elimina a necessidade de reunião. Ele eleva o nível da reunião.

A nova reunião semanal de PCP — quando bem implantada — não fala mais sobre “qual SKU está em ruptura”. Fala sobre:

1. Buffer profiles que estão errados

Se uma classe de SKUs vive em vermelho mesmo com método operando direito, o problema é o profile (LTF, VF) ou o lead time cadastrado, não a operação. A reunião identifica padrão e dispara recalibragem.

2. Decoupling points que precisam mudar

Em manufatura, posicionamento de buffer não é estático. Mercado muda, mix muda, fornecedor muda. A reunião revisa: este subconjunto continua sendo decoupling point estratégico? Aquele SKU de produto acabado que é make-to-stock deveria virar make-to-order?

3. Lead times reais vs prometidos

Auditoria contínua de fornecedor (ver post sobre lead time auditoria) gera ranking. A reunião decide: este fornecedor vai virar single-source ou vai entrar dual-source? Este aqui sai do quadro?

4. KPIs DDMRP

% de SKUs em verde, tempo médio em vermelho, hits de stockout no mês, giro por buffer profile. Esses indicadores são da tela 12 do dashboard ForgeFlow e alimentam a discussão.

5. Casos de exceção real

Promoção do varejista grande para a próxima semana. Cliente novo entrando no canal. Item descontinuado. Esses casos exigem DAF (Demand Adjustment Factor) ou retirada de buffer — decisões manuais que o método não toma sozinho.

Duração e participantes

A nova reunião dura 30–45 minutos por semana, contra 1–2 horas da reunião antiga. Participantes:

  • PCP (planejador sênior)
  • Compras (gerente)
  • Produção (supervisor) — opcional, em fábrica
  • Diretor industrial — opcional, mensal

Comercial entra eventualmente, quando há promoção ou cliente novo a discutir.

Um aviso necessário

Essa transição não é automática. Quando a fábrica adota DDMRP mas mantém a reunião antiga, dois efeitos ruins aparecem:

  1. A reunião vira teatro — todo mundo já tem a informação no dashboard, mas a reunião continua “porque sempre fizemos”
  2. PCP fala de SKU específico de novo — voltando ao firefighting que o DDMRP eliminou

A disciplina de mudar a pauta da reunião é parte da implantação. KMEE, na operação de implantação, trabalha esse ponto explicitamente com gerência de PCP — não basta instalar a stack ForgeFlow, é preciso reconfigurar a rotina.

Caso real

Em um cliente brasileiro em Odoo 18, a reunião semanal de PCP passou de 110 minutos para 35 minutos após seis meses de operação madura com DDMRP. A pauta migrou de 80% tática (SKUs específicos) para 80% estratégica (profiles, decoupling, KPIs). Compras passou a fazer follow-up no fluxo, não mais na reunião.

Stack e papéis

A stack DDMRP é da ForgeFlow (Espanha). A camada community está em OCA. A camada Professional (dashboard, KPIs, simulation) é proprietária ForgeFlow. A KMEE é parceira oficial brasileira para implantação Enterprise — incluindo o trabalho de redesenho de rotina de PCP.

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#ddmrp #pcp

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Sobre o autor

Luis Felipe Miléo

Luis Felipe Miléo

Desenvolvedor Odoo · KMEE

Desenvolvedor especializado em localização fiscal e projetos open source no ecossistema Odoo/OCA, com foco em integrações para o mercado latino-americano.

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