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De TOTVS Protheus PCP para DDMRP em Odoo: caminho de migração

Migrar PCP do TOTVS Protheus para DDMRP em Odoo é projeto de meses, não fim de semana. Veja as etapas, o que migra, o que muda e o que evitar na transição.

Luis Felipe Miléo

Luis Felipe Miléo

· 5 min de leitura

TOTVS Protheus é o ERP mais usado em manufatura brasileira de médio porte. O módulo de PCP do Protheus (SIGAPCP) implementa MRP tradicional com previsão de demanda, ponto de reposição manual, e ordens de produção/compra explodidas a partir da BOM.

Funciona. Tem décadas de operação no Brasil. Mas reproduz, no fundo, o mesmo problema que toda implementação MRP tem: nervosismo, dependência de previsão, capital empatado em estoque que não gira na mesma proporção do faturamento.

A migração para DDMRP em Odoo é uma decisão estratégica que muitas indústrias brasileiras estão considerando. Este post detalha o caminho real, sem ilusão de “migração transparente em fim de semana”.

Por que migrar PCP, e não tudo de uma vez

A primeira decisão — frequentemente subestimada — é se a migração é PCP first (DDMRP em Odoo, manter Protheus para fiscal/financeiro temporariamente) ou ERP completo (Odoo + l10n-brazil substituindo Protheus inteiro).

Migração ERP completa é projeto de 12 a 24 meses, com risco operacional alto. Migração PCP first em paralelo é viável quando:

  • Há dor explícita em PCP (excesso de estoque, ruptura recorrente, planilhas paralelas)
  • Não há dor explícita em fiscal/financeiro (Protheus operando estável)
  • Há disposição de manter integração temporária entre Odoo (PCP/estoque) e Protheus (fiscal/financeiro)

A KMEE tem visto demanda crescente por PCP first como prova de conceito controlada antes da decisão de migração ERP completa.

Etapa 1: levantamento e modelagem

Tipicamente 4 a 8 semanas. Atividades principais:

  • Levantamento da BOM atual (extração do Protheus em formato exportável)
  • Identificação de decoupling points estratégicos (onde colocar buffer)
  • Definição de buffer profiles iniciais (LTF, VF por classe de SKU)
  • Auditoria de lead time real vs cadastrado no Protheus (frequentemente desatualizado)
  • Calibragem inicial de ADU com period censoring

Saída: mapa de buffers, profiles, e plano de implantação.

Etapa 2: setup do ambiente Odoo

4 a 6 semanas. Atividades:

  • Instalação Odoo 18 com l10n-brazil OCA
  • Instalação da camada DDMRP da ForgeFlow (Espanha) — community OCA + Professional Enterprise
  • Configuração de produtos, fornecedores, BOMs, warehouses
  • Importação de dados históricos (consumo de 12+ meses para alimentar ADU)
  • Integração com Protheus via API ou camada de mensageria (em fase paralelo)

Etapa 3: paralelo controlado

8 a 12 semanas. Aqui está o ponto crítico do projeto. O Odoo opera DDMRP em shadow mode: gera sugestões de reposição que o time de PCP compara com o Protheus, mas executa via Protheus. O objetivo é validar:

  • Buffers dimensionados estão corretos?
  • ADU com period censoring reflete realidade?
  • Lead times cadastrados batem com o medido?
  • Ordens sugeridas pelo DDMRP fazem sentido vs ordens do MRP Protheus?

Sem essa fase, vai-se vivo com confiança baixa.

Etapa 4: corte controlado

2 a 4 semanas. Migração efetiva da execução de PCP do Protheus para o Odoo:

  • Ordens de compra novas passam a sair do Odoo
  • Ordens de produção novas passam a sair do Odoo
  • Protheus continua recebendo dados de execução para integração fiscal/financeiro
  • Time de compras e PCP migrado para usar telas Odoo + dashboard ForgeFlow

Etapa 5: estabilização

3 a 6 meses. Ajuste fino de buffer profiles, decoupling points, calibragem contínua. Reuniões semanais de PCP migram do modelo “olhar planilha” para o modelo descrito no post sobre reuniões de PCP.

O que migra do Protheus

Tecnicamente, do Protheus você migra:

  • Cadastro de produto (SB1, SB5)
  • BOM (SG1)
  • Fornecedores (SA2)
  • Histórico de consumo (SD2 — vendas, SD3 — produção)
  • Lead times do produtoXfornecedor (SA5)
  • Saldo atual de estoque (SB2 por filial)

Não migra (ou migra parcialmente):

  • Ordens de produção em curso — é mais limpo encerrar no Protheus e abrir no Odoo
  • Histórico de SPED — fica no Protheus para escrituração passada
  • Custos contábeis — depende da decisão sobre fiscal/financeiro

O que muda culturalmente

Mais difícil que a migração técnica é a migração de prática:

  • Comprador para de usar planilha de “ponto de pedido” — passa a usar dashboard de NFP
  • PCP para de discutir SKU específico em reunião — passa a discutir profile e decoupling
  • Diretoria deixa de medir “acuracidade do MRP” — passa a medir % verde, hits de stockout, capital de giro
  • Engenharia ganha responsabilidade — alteração de BOM dispara recálculo (ver BOM optimization)

Sem trabalho explícito nesses pontos, a tecnologia migra mas a prática volta a ser MRP disfarçado.

O que evitar

  • “Migrar e ver no que dá” — fase de paralelo é não-negociável
  • Reproduzir MRP no Odoo nativo — sem a camada ForgeFlow, você só trocou de fornecedor de MRP
  • Subestimar lead time real — primeira coisa a auditar e corrigir
  • Manter “ponto de reposição” antigo em paralelo — confunde o time
  • Ignorar period censoring — transferir histórico cru perpetua a subestimação de ADU

Caso real

Um cliente brasileiro migrou parte do PCP do Protheus para Odoo 18 com DDMRP da ForgeFlow ao longo de cerca de 9 meses. A integração paralela (Odoo PCP + Protheus fiscal) durou os 4 primeiros meses, com corte controlado em sequência. Os ganhos mensuráveis após a estabilização incluíram redução de excesso de estoque na ordem de 15-20% sem aumento de ruptura.

Stack e papéis

A camada DDMRP é da ForgeFlow (Espanha). O l10n-brazil é OCA, com a KMEE como uma das mantenedoras. A KMEE é parceira oficial brasileira para implantação Enterprise da ForgeFlow no Brasil — incluindo o trabalho de migração desde Protheus, integração de paralelo, e treinamento de PCP/compras.

Leituras relacionadas:

#ddmrp #pcp

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Sobre o autor

Luis Felipe Miléo

Luis Felipe Miléo

Desenvolvedor Odoo · KMEE

Desenvolvedor especializado em localização fiscal e projetos open source no ecossistema Odoo/OCA, com foco em integrações para o mercado latino-americano.

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