DDMRP em 5 minutos: o que é, de onde veio, por que importa em 2026
DDMRP é o método de planejamento de demanda criado por Carol Ptak e Chad Smith em 2011. Entenda os 5 componentes, o problema do MRP e por que importa.
Luis Felipe Miléo
Toda fábrica e todo distribuidor que opera com SKUs voláteis chega no mesmo impasse: o MRP do ERP gera ordens demais quando a previsão erra para cima, e gera rupturas quando a previsão erra para baixo. Em 2026, com cadeias mais curtas, lead times instáveis e variabilidade de demanda alta, esse erro custa caro.
O DDMRP (Demand Driven Material Requirements Planning) é a resposta metodológica para esse problema. Em vez de reagir à previsão, o DDMRP reage ao fluxo real de demanda através de buffers estratégicos posicionados ao longo da cadeia.
De onde veio
O DDMRP foi formalizado em 2011 por Carol Ptak e Chad Smith no livro Orlicky’s Material Requirements Planning, 3rd Edition (McGraw-Hill). O método foi consolidado como padrão pelo Demand Driven Institute (DDI), fundado pelos mesmos autores, que mantém certificações (CDDP, CDDL) e a literatura oficial.
O DDMRP não nasce do nada. Ele é uma síntese de:
- MRP (Joe Orlicky, 1975) — explosão de necessidades a partir da BOM
- DRP (Distribution Requirements Planning) — propagação de demanda na cadeia de distribuição
- TOC (Theory of Constraints, Goldratt) — buffers e gerenciamento por exceção
- Lean / TPS — pull, redução de desperdício
- Six Sigma — variabilidade como inimigo central
A grande virada do DDMRP é abandonar a premissa de que a previsão é confiável o suficiente para disparar ordens, e adotar a premissa de que o sinal real de demanda (pedidos de venda, consumo) é o gatilho operacional.
Os 5 componentes
O DDMRP tem cinco componentes sequenciais. Os três primeiros são de modelagem (decisões de longo/médio prazo) e os dois últimos são de execução (decisões diárias).
1. Strategic Inventory Positioning
Onde colocar buffer? Não em todo SKU. O DDMRP olha seis fatores (lead time, variabilidade, flexibilidade, proteção a clientes críticos, conhecimento de mercado, alavancagem de estoque) para decidir onde posicionar buffers ao longo da cadeia.
2. Buffer Profiles and Levels
Cada item bufferizado é classificado em um buffer profile (item type + lead time category + variability category). O profile, junto com ADU e MOQ, dimensiona as três zonas (verde/amarelo/vermelho).
3. Dynamic Adjustments
Buffers não são estáticos. Eles se ajustam ao longo do ano por ADU recalculada, sazonalidade conhecida (DAF — Demand Adjustment Factor) e ZAF (Zone Adjustment Factor) para eventos planejados.
4. Demand Driven Planning
A geração diária de ordens olha a Net Flow Position (NFP) de cada buffer: NFP = on-hand + on-order − qualified demand. Quando NFP cai abaixo do topo do verde (ToY), gera-se ordem para repor até o topo do verde (ToG).
5. Visible and Collaborative Execution
Execução por prioridade visual: vermelho urgente, amarelo atenção, verde ok. O comprador/programador trabalha por exceção, focando no que está vermelho. Aqui entram alertas de On-Hand Alert e Spike Detection.
Por que importa em 2026
Três pressões empurram o DDMRP para fora do nicho academic:
- Variabilidade pós-pandemia. Lead times de importação ainda flutuam, e MRP previsão-baseado segue gerando bullwhip.
- Capital de giro caro. Com Selic alta, o custo de carregar estoque ocioso pesa mais. DDMRP entrega geralmente 20-50% menos estoque com mesmo ou melhor service level.
- ERPs nativos demoraram a entregar. Por anos, DDMRP em ERP foi planilha + APS caro. Hoje, em Odoo, existe a stack DDMRP da ForgeFlow (parceira espanhola, código publicado nos repositórios OCA), que implementa os componentes 2-5 dentro do próprio módulo
stock. KMEE é parceira oficial brasileira para implementação de DDMRP Enterprise sobre essa stack.
DDMRP serve para você?
DDMRP brilha em ambientes com:
- Variabilidade de demanda alta (CV > 0,3)
- Lead times longos ou instáveis (importação, fornecedor único)
- Alto número de SKUs ativos (centenas a dezenas de milhares)
- BOM com múltiplos níveis e componentes compartilhados
Se sua operação é make-to-order pura com lead time de cliente maior que o lead time de produção, ou se tem 30 SKUs estáveis, MRP tradicional pode bastar. É honesto admitir.
Próximos passos
Nos próximos posts desta série, detalhamos o motor: como o stock.buffer calcula ADU, os 9 fatores que dimensionam um buffer, a fórmula da NFP no Odoo e detecção de order spike.
Se você quer ver DDMRP rodando em Odoo 18 com cliente real (FFA, distribuidor brasileiro em produção), fale com a KMEE ou conheça o serviço de DDMRP em Odoo.
Sobre o autor
Luis Felipe Miléo
Desenvolvedor Odoo · KMEE
Desenvolvedor especializado em localização fiscal e projetos open source no ecossistema Odoo/OCA, com foco em integrações para o mercado latino-americano.
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